Eu não sei. Outro dia escrevi quatro coisas em estado catártico. Já sou assim, aquariano com grande prazer em estrelismo, resolvi compartilhar. O mundo precisa de poema. Eu preciso de poema. Por Caio Franco
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
domingo, 30 de agosto de 2015
Problema
O problema é que é domingo
É essa cabeça esquecida
A dor no corpo
O porre do dia anterior
Ou a falta dele
O problema é essa falta de gente
O problema é que é domingo
Uma criança na rua faz birra
A culpa é da publicidade
A culpa sempre é da publicidade
Maluco ainda trabalha nesse conceito
A culpa
Ela não existe
Nem o pecado
Nem o problema ser domingo
O problema é teu contigo
O problema é esse umbigo
sábado, 29 de agosto de 2015
Não samba
Não sabe sambar!
Não se ajeita no esquema da dança
O cabelo não faz trança
É brasileiro mesmo assim
Não tem orgulho, não
É brasileiro
Mas prefere ser mineiro
* vinculo de Estado feito em 29 de agosto de 2015
Hoje
Cê não
Mim
Falo de mim mais que de tudo
Falo de mim em dó maior
Auto-imune a crueza
Não sei se amor próprio
Egoísta
Ex pseudo socialista
Adoro lista
De compra, de música
E de defeitos
Curto defeitos
Os dos outros me surtem efeitos
De falar sobre eu
De inventar outro eu
* de 29 de agosto de 2015
Querência
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Noturno
Não tenho ciúmes
E sei mentir
* devaneio adolescente de 17 de outubro de 2013 para pessoa inexistente
Porto
Maria
Resumo de notíciarios
Maldade
Vingança vazia
Minha pessoa vazia
Quero ver tu se ferrar
Das coisas ruins me livrar
Mas repito, quero ver tu se ferrar
Que dia
* devaneio de 22 de maio de 2015
Super ação
De noite acordado sem internet
Tanto tempo procurando quitinete
O preço do vinho é menor que o frete
Não há linho que concerte
Tomara que o governo acerte
Nem mais conta que aperte
Encontrei apartamento dentro do preço
Minha alegria à todo santo ofereço
Pelos tempos recentes, pouco apreço
Mas mal não mais padeço
Parece até que é coisa de endereço
Pensando bem, ótimo nem no começo
Agora os olhos mantenho aberto
Canalhice não quero por perto
Dessa vez eu sei que acerto
Até lembrei de uma música do Roberto
Uma coisa sei que é certo
Canalhice comigo, fica esperto
* escrito em 14 de julho de 2015
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Hábito
Anoto coisas
Às vezes conta e agência bancária
Às vezes palavra bonita
Anoto um número de telefone
Tem vez que nome
Remédio para dor de cabeça
De dia anoto para não esquecer
À noite anoto para poder esquecer
Não anoto afeto
Afeto eu noto
E fico quieto
* escrito em 14 de agosto de 2015
Inadequado
Eu sou tão inadequado
Eu sou tão inadequado
Mas não quieto
Eu sou tão inadequado
Gosto de Freud
Odeio fado
* poema do dia 18 de agosto de 2015
Bomba
As primeiras explosões
O peso do mundo nas costas
Estouro
Vermelhidão
Estresse em amplidão
* poema do dia 27 de agosto de 2015
Sou do tipo
Sou do tipo que se ferra
Anemia, corte na testa, joelho ralado
Eu já tive
Enxaqueca e insônia tenho sempre
Pertenço à classe dos estrepados
Eu rasgo a roupa de tanto uso
Eu roou a unha
Eu me estrago
Às vezes eu trago bebida
Sou desses que perdem a hora
Que vivem longe da família
Sempre alguém me para na rua
Me pede informação
Logo comigo que detesto direção
* poema do dia 27 de agosto de 2015
Difícil
Sou difícil de engolir
De noite não durmo
Tomo café extra - forte
Não meço palavras
Acho passarinho bonito
Se alguém fala omito
Pareço, às vezes, trovão
Recito palavrão
Me apaixono
De amar, não gosto
Eu não me encaixo
Nem tento, acho
Tenho preguiça de bicho
Meu papo é bom
Mas nunca entra no tom
Tenho preguiça de cotidiano
Gosto de gente
Não de muita gente
Gosto de solidão
* poema do dia 27 de agosto de 2015
Esquisito
Faço poesias
Quero dizer: choro todos os dias
Não, não choro todos os dias
Quase choro todos os dias
Quase rio
Quase cachoeira
Vezes cai um litro de água pelo meu rosto
Vezes a boca escancara
Sorriso esquisito
Faço poesias
Não como carne
Não adoço café
Sou esquisito
Todos os dias eu quase choro
Faço poesias
Não todos os dias
Nem todas as rimas
* poema do dia 27 de agosto de 2015