quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Café com leite

É necessário quebrar os galhos
Beirar atalhos é necessário
Falar das plantas, fazer a janta
Rimar não é necessário
Rimar é o contrário
Remar depois dos vinte é quase obrigatório
E é difícil rimar se a causa for remar
Pode também ser necessário
Pode o contrário
O caso é que na vida é só cenário
E é bom tratar de não virar otário

* feita em 23 de setembro de 2015

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Calça atarracada

O choro é o que me mantem vivo
O riso é só estar vivo
Sorrir é como estar comendo brigadeiro
Sorrir é como estar enrolado num cobertor
Chorar é outra história
Chorar é a calça repartindo a bunda
Chorar é o desconforto de estar vivo
É quando eu produzo lágrima que sei que eu existo
É nesse processo louco que eu entendo o resto
Me coloca para fora de casa
Eu calço o sapato e vou andejar
Se sorrio eu meto a cara no celular
Faço sefie edito posto
Quero curtida elogio coração
Quando eu choro corro prum conhecido
Aí é abraço e compaixão

* do dia 12 de setembro de 2015, um dia depois faxinei a casa ouvindo Byork

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Essas pessoas que dormem cedo
Essas pessoas que acordam e vão fazer a feira
Essa gente que consegue se satisfazer consigo mesma
Eu não, eu vaso pela borda da existência
Eu tomo vinho e nem lembro que o padre toma
Às vezes minha pele sua sentimentalismo barato
Eu ando de óculos escuros para esconder ressaca
Não ando na rua dizendo bom dia
Não entro nas bancas de flores, desconheço o nome das flores
Tem noites que eu deito e levanto de fome
Levanto também de pesadelo
Se alguém me conta da vida amorosa
Se alguém me conta da vida, orgulhosa
Não olho nos olhos, procuro uma fuga
Eu volto pra casa meio bambo se eu lembro que eu tenho vida amorosa
Eu volto pra casa lembrando que eu tenho vida se alguém me conta de sua vida amorosa

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Declínio cinza

Cai, cai balão
Cai a chuva num quintal
Cai uma gente num degrau
Cai um para-quedas noutra onda

Cai, cai balão
Cai a água, molha a mão
Cai um cílios, cega a vista
Cai do armário um lampião

Cai, cai balão
Cai o índice de aprovação
Cai do bolso uma moeda
Cai do cérebro uma idéia

A dinâmica do cinza
A dinâmica do santo
Briga, empurra móvel
Cai balão, trovão e solidão

* do dia 07 de setembro de 2015

Lacticínio

O leite que se farta do alumínio do fogão
O leite adoçado com chá de erva doce
Deramado, fermentado, processado
O leite que às vezes eu tomo para me acalmar
Eu não me acalmo, não
Corro, pego pano, limpo fogão
Movimento inconsciente
Minha mão, minha língua
Queimo junto com minha calma

* poema do dia 07 de setembro de 2015

sábado, 5 de setembro de 2015

Nome

Meu nome é Caio e às vezes eu danço
Meu nome é Caio e às vezes eu canso
Às vezes meu nome cai
Tropeço no ar
Derrubo café numa roupa
Mas me limpo depois
Me ergo também
A coluna fica um pouco dolorida
Mas meu nome é pequeno
Não carece derrapar em apelido

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Janela

Quando a janela bate
A vela apaga
Cortina encolhe
O corpo acorda

Quando a janela bate
Bate junto uma saudade
Vem o vento e invade
Menino fica cheio de vontade

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Egotrip (ou Aceitando alegrias)

O bom humor te afeta né
Cê acorda, ele tá lá
Invande a casa e cara
Chega pela frente
Cê se faz de difícil
Diz que acabou de acordar
Logo depois abre a guarda
Aí vem a vida dos outros
Tanta sofrendo
Você bem humorado
Egoísmo
Se for, nem ligo

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Cegueira

Tem gente que fica de luto
Bota preto na roupa, na janela
Mas hoje deixaram invisível uma galera
Na maior cidade do país
A discussão de gênero nas escolas
Foi barrada em votação
Diz que é coisa de instituição
Tão em defesa da família
E um tanto de gente morrendo
Se matando, se esguelando
Eu tenho medo dessa família

* LGBT's existem, entendam!

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cômodo

Um cômodo vazio
Muitas ideias na cabeça
Um cômodo ocupado por demais
Outras muitas ideias na cabeça
Um cômodo vazio é silêncio
Vem aquilo que é de dentro
Um cômodo ocupado por demais
Surge aquilo que causa sufoco
É como estação de metrô às seis
Há que se decorar o incômodo
Jogar fora o que não convém
Mesmo, a coisa física e a coisa mental

* delírios de uma pessoa tarada por ambientes preenchidos sentido em 01 de setembro de 2015