Eu não sei. Outro dia escrevi quatro coisas em estado catártico. Já sou assim, aquariano com grande prazer em estrelismo, resolvi compartilhar. O mundo precisa de poema. Eu preciso de poema. Por Caio Franco
terça-feira, 8 de novembro de 2016
Outra
domingo, 30 de outubro de 2016
volta
um gole de cerveja
um gole de café
volta e depois sai, perambulante como antes. como dante. e meio bambo fica o chão. um não. ou não, perambulante fica o chão como nunca antes. e agora não sofro mais. disso. não sei se sofro disso enquanto escrevo. e volta como a chuva. depois cessa. eu fico meio bambo, úmido, quente. frio. nunca morno, ameno ou coisa do tipo.
sábado, 6 de agosto de 2016
A[manhã] erótico
E é bom de cama
Garante aos garotos
E garante um café pela manhã
Beijo na boca
Clichê romântico - sem flores
Abraço
Poeminha soprado no ouvido
Listen: "I love the way you lick me"
E o dia amanhece pornográfico
terça-feira, 2 de agosto de 2016
domingo, 17 de julho de 2016
Imposição às mudanças
É domingo
Muda mais que troca de roupa
Reinventa a disposição das madeiras-mobília
Depois, para olhando os quadros nas paredes
Parecem não fazer mais sentido
Deixa lá, subversivos ao alinhamento dos móveis
E o menino preciso de mudanças
E a vida dele não se basta nas pequenas emoções semanais
Vela em garrafas de vinho vazias
Meditação: respiração matinal
Cai o mundo e Caio muda o quarto esperando mudar-se
domingo, 12 de junho de 2016
Atraso
Depois nas mãos
No movimento inquieto daquelas mãos
Veio a conversa alheia
Eu todo interessado
Numa tarde da cidade antiga
Eu atrasado mais de um ano
Um outro atraso de quinze minutos
Surpresa
E a carga dessa vida digital
Eu, penúltimo romântico
De sobra chegou domingo
Dias dos namorados passo sozinho
Aceito, por fim, uma furadeira de presente
E um desses "alguéns" dispostos a furar
Meu bloqueio: parede de concreto-coração
domingo, 15 de maio de 2016
Sem título
Eu perguntava ao dia
Que dia é hoje, dia?
Eu perguntava a hora ao menino do bar
Que bar é esse?
Eu perguntava ao menino, da hora
Eu perguntava ao menino da hora do bar
Que voz aquela que ouvi distante?
Que voz aquela, daquele bar, naquele instante?
Que voz? Que garganta arranhada?
Eu perguntava
Agora à noite, eu perguntava
quinta-feira, 5 de maio de 2016
terça-feira, 26 de abril de 2016
Pedido (em prosa)
Se caso eu te cumprimentar, responda. Responda também os meus olhares, ou melhor, corresponda minha súplica facial. É tão pouco isso, e necessário. Portanto faça, e faça de bom grado, rotineiramente. Pois se não me enxerga, se não reage à minha pessoa, é melhor nunca o fazer.
Mais uma vez, nunca brique dessa brincadeira comigo. Não sei, não sei, não sei. É isso que posso te dizer por hora, depois não se assuste ou saia por aí dizendo da minha esquisitice. Claro que a gente mal sabe um do outro, só que até os postes de luz do teu caminho servem de encosto para os teus braços. E eu, canso rápido das coisas. Não, não de você, não das pessoas, mas dos joguetes. A gente pode ficar um mês, um ano, uma vida sem se falar caso você seja indiferente por algumas horas comigo.
domingo, 24 de abril de 2016
Cultura
Desligou a televisão nesse momento
No céu alguns raios e trovões surgiam
Parou para ouvir o barulho da chuva
O café quente e adoçado com chocolate
Saboreou cada molécula de cafeína
Papel e caneta na mão nessa hora
Danou-se a escrever um poema
E que poema havia de sair ali, naquele local?
Que verso saltaria aos olhos no meio da roça?
Se o gosto do café continuava rei de tudo
Cabia medida ao poema como ao café?
Por fim quietou sentado na cozinha
No quintal lenhas molhadas, roupas molhadas
O poema ficou por lá naquela chuva
quarta-feira, 16 de março de 2016
Casa é coração, casa é asa, asa é coração que é casa
Era muito novo quando entendi que casa é coração. Não me lembro de fato, porém parece que de alguma forma, quando no íntimo do íntimo vou buscar, minha lembrança é de que eu sempre soube disso. Tenho a impressão que cortado e enterrado o cordão umbilical eu entendi que casa é coração, às vezes é beijo também, noutras abraço e vez em quando é concreto, tijolo e janela. Porta. Fachada.
Dois anos atrás eu me mudava para cá, Mariana, jornalismo, uma fase nova, as certezas ficaram do lado de lá da Fernão Dias. Mais de 300 quilômetros se fizeram necessários para entender que, quanto mais longe de lá, de Congonhal, de Pouso Alegre, da roça, do sul de Minas, montanhas e amores, mais de lá eu sou, mais do mato eu fico, mais café e doce de leite, aprendi até a gostar de pamonha e bolo de milho. Fogão à lenha. Chico Buarque no aparelho de som. Viola caipira.
Casa é coração, sempre foi. Pais separados, me lembro além daquela casa que já anda desfigurada, de levantar da cama de minha mãe e ir assistir a fita cassete dos Rolling Stones no colchão da sala de tv com meu pai, um degrau mais baixo. Um dia cortei a testa, cicatriz. Avós, bisavós, a casa dos tios e tias, que saudade dos que já se foram. Algumas paredes se perderam entre o pó da demolição, e guardo o cheiro de cada cozinha em dia de festa. Domingo, uma leve impressão de que quando uma família tem crianças, os conflitos somem um pouco.
Agora, outra mudança de casa, em Mariana foram muitas, e mais dois anos nesse lugar, espero. Minha alma pede férias incessantemente, uma vontade imensa, intensa, de rever os meus. Casa é coração. Minha mãe me contou uma vez que muito criança eu já fazia a mala e ia dar um tempo, frequentar outras casas-corações. Cresci pensando que a independência me possibilitaria fazer isso com mais frequência, mas independência pede responsabilidade. E nessa bola chamada Terra, sacana que é, a gente fica parado criando responsabilidade enquanto ela faz graça levando o sol pro Japão e trazendo de volta, rodando.
E casa que é coração, se tirar o c fica asa. Asa é coração. Por isso, não sinto saudade das fachadas e paredes, carrego elas comigo. Poema é mais que rima e verso, é estado d'alma. Eu arrumo minha história numas caixas. Ela vaza, é claro. E no entanto, só queria mesmo arrumar uma pequena mala e voltar pro sul de Minas, a sala com piano da minha vó, os assuntos da minha vó, da minha outra vó o colo e os cuidados lá da infância. O acaso é tão irônico que hoje eu faço mala e vou dar tempo, lá de onde saí tantas vezes, mochila e sorriso de criança. Depois volto, massa de pão de queijo, e às vezes vinho.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Avó
Avó diz que rua afunda
Quando passa todo dia, afunda sim
Avó sabe das coisas do mundo
Afunda tamanho tédio imundo
Tamanho marasmo chinfrim
Afunda de enjoamento profundo
Bota o casaco, avó pede
Ela manda: bota o casaco criança!
Avó sabe das coisas do mundo
Que há de estar um calor lá fora, descomunal
Só que dentro das coisa é um frio fundo
Na escada da igreja, cerveja
Avó tira criança de perto
Ela diz: criança não pode ver
Avó sabe das coisas do mundo
domingo, 21 de fevereiro de 2016
às dez da manhã, uma flor murcha
Quando alguma gente trata de reparar e perguntar "cê treme?"
Fico com ódio e depois, passa
Passa como passa o medo ao ler jornal ou assistir jornal ou viver depois das dez da noite
Da morte e da velhice eu tenho medo e passa
Na minha cabeça, na fila do banco, eu crio versos e estrofes
E não anoto, sinto raiva depois quando lembro que fiz e não lembro o que fiz
Depois passa
Passa como passou por mim 2000, 2005, 2010
O peso da existência vem a galope
Acato o peso, carrego o fardo e tomo analgésico pra abrir sorriso depois
Fico com ódio e passa, rápido
Estardalhaço em vão
Pago mais caro que é pra voltar pra casa mais rápido
Voltar pra casa e sentir medo e odiar e sentir raiva
Se passa eu durmo, caso contrário eu fico cansado e durmo
Depois passa
E quando acordo: sangue à flor da pele
E passa, que a flor murcha na fila do banco às dez da manhã
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Poema é válvula de escape
Quando saiu de casa sem rumo
Não tem mais jeito o menino
Saiu cheio de medo
Estraçalhou a asa
Meteu brasa
Leu sobre horoscopo, café e vinho
Leu muito pouco
Televisão assistiu muito
Numa esquina, um dia, perdeu sensação de liberdade: assalto
O pescoço desde então passou a mover pros lados ao andar na rua
Capacidade de viver perdeu não
Menino hoje tem saudade da casa, de ter asa
Saudade de cheiro de mato
Ele é feliz
Nem clonazepam carece tomar
Mas era mais quando não tinha medo de solidão
À noite
domingo, 31 de janeiro de 2016
Passe
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Do de dentro
Cada palavra tem seu valor
Amor?
Nem todo gesto é de beleza
E eu ainda quero
Espero
A cada dança um bolero
Cada sentido há de ser
Sentido
Amar é rito
Me irrito
Te irrito
O olho coça do excesso de enxergar
A pele coça
Apelo
É falta de tocar
Nem todo gesto é de beleza
Se houver leveza eu quero mais
Das danças todas nem sei
Se me irrito é coisa de te amei
E te odiei
No inverno retrasado
Amar, amor?
Sim, eu sei