Criança ouve conselho de avó
Avó diz que rua afunda
Quando passa todo dia, afunda sim
Avó sabe das coisas do mundo
Afunda tamanho tédio imundo
Tamanho marasmo chinfrim
Afunda de enjoamento profundo
Bota o casaco, avó pede
Ela manda: bota o casaco criança!
Avó sabe das coisas do mundo
Que há de estar um calor lá fora, descomunal
Só que dentro das coisa é um frio fundo
Na escada da igreja, cerveja
Avó tira criança de perto
Ela diz: criança não pode ver
Avó sabe das coisas do mundo
Eu não sei. Outro dia escrevi quatro coisas em estado catártico. Já sou assim, aquariano com grande prazer em estrelismo, resolvi compartilhar. O mundo precisa de poema. Eu preciso de poema. Por Caio Franco
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
domingo, 21 de fevereiro de 2016
às dez da manhã, uma flor murcha
Eu tenho uma herança genética que me fez tremulo
Quando alguma gente trata de reparar e perguntar "cê treme?"
Fico com ódio e depois, passa
Passa como passa o medo ao ler jornal ou assistir jornal ou viver depois das dez da noite
Da morte e da velhice eu tenho medo e passa
Na minha cabeça, na fila do banco, eu crio versos e estrofes
E não anoto, sinto raiva depois quando lembro que fiz e não lembro o que fiz
Depois passa
Passa como passou por mim 2000, 2005, 2010
O peso da existência vem a galope
Acato o peso, carrego o fardo e tomo analgésico pra abrir sorriso depois
Fico com ódio e passa, rápido
Estardalhaço em vão
Pago mais caro que é pra voltar pra casa mais rápido
Voltar pra casa e sentir medo e odiar e sentir raiva
Se passa eu durmo, caso contrário eu fico cansado e durmo
Depois passa
E quando acordo: sangue à flor da pele
E passa, que a flor murcha na fila do banco às dez da manhã
Quando alguma gente trata de reparar e perguntar "cê treme?"
Fico com ódio e depois, passa
Passa como passa o medo ao ler jornal ou assistir jornal ou viver depois das dez da noite
Da morte e da velhice eu tenho medo e passa
Na minha cabeça, na fila do banco, eu crio versos e estrofes
E não anoto, sinto raiva depois quando lembro que fiz e não lembro o que fiz
Depois passa
Passa como passou por mim 2000, 2005, 2010
O peso da existência vem a galope
Acato o peso, carrego o fardo e tomo analgésico pra abrir sorriso depois
Fico com ódio e passa, rápido
Estardalhaço em vão
Pago mais caro que é pra voltar pra casa mais rápido
Voltar pra casa e sentir medo e odiar e sentir raiva
Se passa eu durmo, caso contrário eu fico cansado e durmo
Depois passa
E quando acordo: sangue à flor da pele
E passa, que a flor murcha na fila do banco às dez da manhã
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Poema é válvula de escape
Quebrou a asa o menino
Quando saiu de casa sem rumo
Não tem mais jeito o menino
Saiu cheio de medo
Estraçalhou a asa
Meteu brasa
Leu sobre horoscopo, café e vinho
Leu muito pouco
Televisão assistiu muito
Numa esquina, um dia, perdeu sensação de liberdade: assalto
O pescoço desde então passou a mover pros lados ao andar na rua
Capacidade de viver perdeu não
Menino hoje tem saudade da casa, de ter asa
Saudade de cheiro de mato
Ele é feliz
Nem clonazepam carece tomar
Mas era mais quando não tinha medo de solidão
À noite
Quando saiu de casa sem rumo
Não tem mais jeito o menino
Saiu cheio de medo
Estraçalhou a asa
Meteu brasa
Leu sobre horoscopo, café e vinho
Leu muito pouco
Televisão assistiu muito
Numa esquina, um dia, perdeu sensação de liberdade: assalto
O pescoço desde então passou a mover pros lados ao andar na rua
Capacidade de viver perdeu não
Menino hoje tem saudade da casa, de ter asa
Saudade de cheiro de mato
Ele é feliz
Nem clonazepam carece tomar
Mas era mais quando não tinha medo de solidão
À noite
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