domingo, 21 de fevereiro de 2016

às dez da manhã, uma flor murcha

Eu tenho uma herança genética que me fez tremulo
Quando alguma gente trata de reparar e perguntar "cê treme?"
Fico com ódio e depois, passa
Passa como passa o medo ao ler jornal ou assistir jornal ou viver depois das dez da noite
Da morte e da velhice eu tenho medo e passa
Na minha cabeça, na fila do banco, eu crio versos e estrofes
E não anoto, sinto raiva depois quando lembro que fiz e não lembro o que fiz
Depois passa
Passa como passou por mim 2000, 2005, 2010
O peso da existência vem a galope
Acato o peso, carrego o fardo e tomo analgésico pra abrir sorriso depois 
Fico com ódio e passa, rápido
Estardalhaço em vão
Pago mais caro que é pra voltar pra casa mais rápido
Voltar pra casa e sentir medo e odiar e sentir raiva
Se passa eu durmo, caso contrário eu fico cansado e durmo
Depois passa
E quando acordo: sangue à flor da pele
E passa, que a flor murcha na fila do banco às dez da manhã

Nenhum comentário:

Postar um comentário