terça-feira, 26 de abril de 2016

Pedido (em prosa)

Um pedido: não seja indiferente comigo. Por favor, nunca use dessa artimanha na minha presença. Não sei brincar desse silêncio - e gosto tanto do silêncio - seu. Mais que um pedido, isso é um aviso. Eu sei, o humor é variável e eu não ando por aí com os dentes escancarados, sorrindo.

Se caso eu te cumprimentar, responda. Responda também os meus olhares, ou melhor, corresponda minha súplica facial. É tão pouco isso, e necessário. Portanto faça, e faça de bom grado, rotineiramente. Pois se não me enxerga, se não reage à minha pessoa, é melhor nunca o fazer. 

 Mais uma vez, nunca brique dessa brincadeira comigo. Não sei, não sei, não sei. É isso que posso te dizer por hora, depois não se assuste ou saia por aí dizendo da minha esquisitice. Claro que a gente mal sabe um do outro, só que até os postes de luz do teu caminho servem de encosto para os teus braços. E eu, canso rápido das coisas. Não, não de você, não das pessoas, mas dos joguetes. A gente pode ficar um mês, um ano, uma vida sem se falar caso você seja indiferente por algumas horas comigo.

domingo, 24 de abril de 2016

Cultura

O café quente e puro
Desligou a televisão  nesse momento
No céu alguns raios e trovões surgiam
Parou para ouvir o barulho da chuva

O café quente e adoçado com chocolate
Saboreou cada molécula de cafeína
Papel e caneta na mão nessa hora
Danou-se a escrever um poema

E que poema havia de sair ali, naquele local?
Que verso saltaria aos olhos no meio da roça?
Se o gosto do café continuava rei de tudo
Cabia medida ao poema como ao café?

Por fim quietou sentado na cozinha
No quintal lenhas molhadas, roupas molhadas
O poema ficou por lá naquela chuva