Um pedido: não seja indiferente comigo. Por favor, nunca use dessa artimanha na minha presença. Não sei brincar desse silêncio - e gosto tanto do silêncio - seu. Mais que um pedido, isso é um aviso. Eu sei, o humor é variável e eu não ando por aí com os dentes escancarados, sorrindo.
Se caso eu te cumprimentar, responda. Responda também os meus olhares, ou melhor, corresponda minha súplica facial. É tão pouco isso, e necessário. Portanto faça, e faça de bom grado, rotineiramente. Pois se não me enxerga, se não reage à minha pessoa, é melhor nunca o fazer.
Mais uma vez, nunca brique dessa brincadeira comigo. Não sei, não sei, não sei. É isso que posso te dizer por hora, depois não se assuste ou saia por aí dizendo da minha esquisitice. Claro que a gente mal sabe um do outro, só que até os postes de luz do teu caminho servem de encosto para os teus braços. E eu, canso rápido das coisas. Não, não de você, não das pessoas, mas dos joguetes. A gente pode ficar um mês, um ano, uma vida sem se falar caso você seja indiferente por algumas horas comigo.
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