quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Poema é válvula de escape

Quebrou a asa o menino
Quando saiu de casa sem rumo
Não tem mais jeito o menino
Saiu cheio de medo
Estraçalhou a asa
Meteu brasa
Leu sobre horoscopo, café e vinho
Leu muito pouco
Televisão assistiu muito
Numa esquina, um dia, perdeu sensação de liberdade: assalto
O pescoço desde então passou a mover pros lados ao andar na rua
Capacidade de viver perdeu não
Menino hoje tem saudade da casa, de ter asa
Saudade de cheiro de mato
Ele é feliz
Nem clonazepam carece tomar
Mas era mais quando não tinha medo de solidão
À noite

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